Sempre houve música em nossa casa. O meu pai tinha uma imensa coleção de LPs e depois de CDs, muitas vezes com as melhores gravações de uma seleção pessoal de música favorita. O meu irmão aprendeu a tocar guitarra e não só tinha três, como também possuía um alaúde renascentista e um charango.
Iniciei a minha carreira musical em 1979, aprendendo flauta doce contralto com a primeira flautista da orquestra sinfónica local. Em 1985, tendo à minha disposição um antigo piano vertical Pleyel, impossível de afinar devido ao seu cepo de madeira. No ano seguinte, iniciei aulas formais de piano com uma pianista formada no Conservatório de Paris, comprando um Baldwin vertical que fazia mais barulho do que outra coisa! Foi neste piano que comecei a compor peças curtas para piano e a fazer arranjos. A maioria delas foi recolhida e publicada em suites e ciclos. Entre elas, posso referir a Suite Simples, op. 1, as Duas Impressões, op. 2, os Dois Idílios, op. 3, a Suite no Estilo Antigo (arranjos de canções folclóricas inglesas), op. 4, e as Três Canções Populares (arranjos de canções de John Lennon e Paul McCartney), op. 6.
Estudei também harmonia, contraponto e composição, enquanto frequentava e me diplomava em Direito, em 1989.
Abandonei a composição porque, no início dos anos 90, parecia que não havia lugar para o meu estilo musical num mundo que tinh lugar apenas para Schönberg, Boulez, Webern, Stockhausen e Berio. Só no início dos anos 2000 é que comecei a reparar na música contemporânea que é realmente agradável de ouvir. Foi nesse momento que pensei: "Mas o tempo todo eu compunha música assim!"
Em 2018, após a admissão da minha filha na Scuola di Musica di Fiesole, onde aprendeu violino, comecei novamente a compor, arranjar e escrever música que ambas podíamos tocar juntos. A primeira peça desta nova fase foi a sonata para violino e piano em Ré maior, já publicada, bem como arranjos de canções infantis, melodias populares e folclóricas.
Tenho vários estilos, muitas vezes escrevendo peças num estilo histórico modificado, mas ainda assim utilizando alguns elementos contemporâneos, principalmente nos meus trabalhos mais recentes.
Creio que uma das coisas que me fez virar as costas ao "Moderno" foram as minhas muitas experiências enquanto jovem. Tínhamos uma trompa de correio em casa, bem como alguns violões, mas eu também era muito criativo, construindo flautas com tubos de plástico e cortiça, usando mangueiras como trompete e elásticos como berimbaus de boca. Não posso dizer que me tenham inspirado os resultados destas experiências e ainda não encontrei motivos para rever a minha opinião.
Tendo aprendido recentemente a utilizar programas de computador para "gravar" música, revi a maior parte da minha obra e escrevi novas peças, algumas didácticas, para violino e piano, para passar a outras de maior complexidade.
Em 2024, comecei a frequentar o Curso de Especialização em Composição, com a duração de dois anos, na Scuola di Musica di Fiesole, tendo como instrutores Andrea Portera e Valentina Peleggi. Estou também procedendo a ter o meu diploma de Direito reconhecido em Itália, com previsão de conclusão em junho de 2026.
Para este curso de especialização, escrevi a minha primeira obra orquestral, Vesper op. 40.
Espero que gostem do meu site!